Lisboa: Mário Lúcio diz que Bana é o eterno eco das nossas ilhas 03 Abril 2012
“Bana é o
ministro maior do que todos os ministros porque é eterno em cada um de
nós e no eco das nossas ilhas”, afirmou o ministro da Cultura de Cabo
Verde, Mário Lúcio numa mensagem lida pela Embaixadora de Cabo Verde na
entrega do “Prémio Carreira Cabo Verde Música Awards”, num espectáculo
celebrativo do seu octogésimo aniversário e de uma vida a cantar, no
Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
Tito Paris abriu o concerto e Bana encerrou-o com
um espectacular dueto com o fadista português Carlos do Carmo, em
“Beijo de Saudade”, de B.Leza, em português e crioulo.
Foi considerado o “embaixador da morna em Portugal e da
diáspora” e recebeu por isso, o prémio “Voz da Lusofonia” em nome de 35
cidades de língua portuguesa (UCCLA), espalhadas pelos quatro
continentes do mundo.
Bana, emocionado, disse não ter palavras para agradecer e
recordou que Mário Lúcio, quando foi nomeado ministro lhe fora dizer
pessoalmente, em sua casa: ”Bana já consegui!”, pois tal facto tinha
sido uma premonição e um desejo que havia, antes, em Cabo Verde,
formulado ao também artista e agora ministro da Cultura.
O próprio ministro recordou, na mensagem lida pela
embaixadora Madalena Neves, que “Cabo Verde tem vários memoráveis desde
Eugénio Tavares a Amílcar Cabral (...) No dia em que me ofereceste uma
camisa branca, eu fui a tua casa...disseste que a prenda que te daria,
aos 80 anos, era eu ser ministro... És o maior de todos os ministros
(...)”
O “rei das mornas” como também é conhecido, recebeu
ainda uma placa comemorativa, com o nome de todos os artistas que
participaram neste evento, entregue por Luís Fortes, um dos
impulsionadores desta homenagem, a viver na Holanda, e que foi o
portador do “Prémio Carreira 2011”, atribuído em Cabo Verde.
O artista, embora fragilizado, continua com uma voz
potente e maravilhosa com que saudou o público com sete interpretações, e
que o aplaudiu numa das principais catedrais da música em Lisboa.
O espectáculo, longo, e acompanhado por uma orquestra
sob a batuta do maestro Albertino Monteiro, Toi Vieira ao piano, Armando
Tito à guitarra entre outros músicos, teve momentos altos com Lura a
cantar ao desafio com Bana uma coladeira.
Outro momento alto foi com o popular Jorge Neto. Um
dueto que colocou o público dançar e uma audiência ao rubro com a sua
interpretação “Rosinha”.
Também uma das mornas, muito apreciada Portugal “Maria
Barba” interpretada por um jovem, Jorge Batista da Silva, com voz de
tenor, foi vivida com intensidade com muitas pessoas a entoá-la.
A “performance” desta homenagem ao cantor Bana, que
celebrou 80 anos 11 de Março, foi concretizada as vozes já célebres de
Nancy Vieira, Celina Pereira, Titina, Leonel Almeida, Luís Fortes
(Holanda) Coimbra, Dany Silva, José Rui de Pina (EUA). Também com o
“entertainer” José Gonçalves ou “Juca” (Holanda) que protagonizou vários
momentos de humor.
O público era heterogéneo. Tinha personalidades
cabo-verdianas e portuguesas além de outros estrangeiros que nesta
altura do ano visitam Portugal e frequentam os concertos. Havia também
jovens, descendentes de várias ilhas, que nunca tinham visto Bana ao
vivo e que ali se deslocaram pela primeira vez.
Bana que só cantou no fim do espetáculo (que começou com
uma hora de atraso), protagonizou de forma natural, entre o povo,
momentos comoventes, aquando da sua entrada ao atravessar a plateia, e
mais tarde quando a voltou a pisar para subir ao palco. Foram muitas as
pessoas que dele se abeiravam para o saudar, envolvendo-se com flores e
bênçãos.
Celina Pereira e João do Rosário, os apresentadores
deste espectáculo, falaram do artista, natural de S. Vicente e residente
em Portugal há mais de 30 anos, como um “pai” da música e a “rocha”
(pela sua compleição física, alta e forte). Designaram-no para o
público como a “voz que levou Cabo Verde a Portugal e ao mundo,
cimentando a lusofonia”.
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